Terremoto de magnitude 7,7 deixa 53 mortos e milhares de desabrigados na Indonésia
Tremor atingiu a ilha de Flores, no leste do país, provocou deslizamentos, destruiu centenas de imóveis e chegou a gerar alerta de tsunami; equipes de resgate continuam procurando possíveis sobreviventes
Um dos terremotos mais devastadores dos últimos anos na Indonésia deixou pelo menos 53 mortos e 135 feridos, além de milhares de pessoas fora de suas casas, após atingir a região de Flores, na província de Nusa Tenggara Oriental, no leste do país. O balanço mais recente foi divulgado neste domingo (16), enquanto equipes de emergência continuam trabalhando entre escombros e áreas afetadas por deslizamentos de terra.
O terremoto ocorreu na manhã de sábado (15), por volta das 4h58 no horário local, e teve sua magnitude atualizada para 7,7 pelo órgão geofísico da Indonésia. Segundo o BMKG, o epicentro estava no mar, aproximadamente 30 quilômetros a nordeste de Nagekeo, em uma área próxima à ilha de Flores, a uma profundidade de cerca de 15 quilômetros.
Alerta de tsunami foi emitido após o tremor
A força e a localização do terremoto levaram as autoridades indonésias a emitir rapidamente um alerta de tsunami para áreas costeiras. O BMKG informou que o tremor estava associado a uma movimentação de falha do tipo thrust, capaz de deslocar o fundo do mar e provocar ondas.
O alerta chegou a indicar possibilidade de ondas entre 0,5 e 3 metros em determinados pontos de Nusa Tenggara Oriental. A agência iniciou o sistema de alerta apenas pouco mais de dois minutos depois do terremoto.
Posteriormente, após o monitoramento do nível do mar, o alerta de tsunami foi encerrado às 7h30, segundo o BMKG. Apesar disso, moradores das regiões costeiras foram orientados a permanecer atentos e evitar áreas próximas a estruturas danificadas.
Número de mortos aumentou durante as operações de resgate
As equipes de emergência continuaram encontrando vítimas entre os escombros. Segundo a Associated Press, seis corpos foram localizados no domingo, elevando o número oficial de mortos para 53. As autoridades também contabilizam 135 feridos.
O trabalho de resgate permanece especialmente difícil em áreas atingidas por deslizamentos. Os municípios de Manggarai, East Manggarai e Nagekeo estão entre os pontos que concentraram esforços das equipes de busca.
Segundo autoridades locais, cerca de 5 mil pessoas foram levadas para abrigos temporários. Na região de Sikka, uma das mais atingidas, mais de 3.300 moradores precisaram deixar suas casas ou buscar abrigo em instalações improvisadas.
Quase mil réplicas aumentam o medo da população
A situação também é agravada pela intensa atividade sísmica posterior ao terremoto principal. Até o domingo, autoridades haviam registrado aproximadamente 995 réplicas, embora apenas 46 tenham sido suficientemente fortes para serem sentidas pela população.
O maior tremor secundário registrado chegou a magnitude 6,2. O fenômeno mantém milhares de moradores fora de suas casas por medo de novos desabamentos.
Em várias localidades, famílias passaram a noite em tendas improvisadas, estádios e outros espaços abertos. Hospitais também precisaram realizar atendimentos em estruturas provisórias depois que prédios foram danificados.
Casas, estradas e prédios públicos foram destruídos
Os danos materiais são extensos. Mais de 900 casas foram destruídas e outras 450 ficaram danificadas em Nusa Tenggara Oriental, segundo dados divulgados pelas autoridades. Na região de Flores, centenas de outras residências também sofreram danos.
Deslizamentos provocados pelo terremoto bloquearam trechos da Trans-Flores Highway, uma importante estrada de aproximadamente 700 quilômetros que conecta diferentes comunidades da ilha.
O bloqueio das estradas dificulta a chegada de equipes de emergência e o transporte de alimentos, água, medicamentos e outros itens básicos para comunidades isoladas.
A falta temporária de comunicação e de energia elétrica também complicou os trabalhos. Segundo a Reuters, mais de 3.500 militares e policiais foram enviados para auxiliar nas operações de resgate, segurança e distribuição de ajuda.
Governo decreta situação de emergência
Diante da dimensão da tragédia, o governo de Nusa Tenggara Oriental declarou situação de emergência na província. A medida permite uma mobilização mais rápida de recursos públicos, equipes de emergência e ajuda humanitária.
Equipes trabalham na remoção dos escombros, na abertura de estradas bloqueadas e na procura por possíveis vítimas que ainda possam estar presas em áreas afetadas pelos deslizamentos.
Entre as prioridades estão também o restabelecimento completo da energia elétrica e das comunicações e a entrega de água potável, alimentos, cobertores e medicamentos.
Indonésia está no chamado Anel de Fogo do Pacífico
A Indonésia é uma das regiões do planeta com maior atividade sísmica e vulcânica. O arquipélago está localizado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma extensa área onde diferentes placas tectônicas se encontram e provocam frequentes terremotos e erupções vulcânicas.
A ilha de Flores já havia sido atingida por grandes desastres. Em 1992, um forte terremoto seguido por tsunami matou aproximadamente 2.500 pessoas na região. A memória daquela tragédia voltou a preocupar moradores após o novo terremoto.
O terremoto de 2026 também se tornou um dos mais mortais registrados na Indonésia nos últimos anos. Segundo a Reuters, trata-se do terremoto mais letal no país desde o tremor de 2022 em Java Ocidental.
Resgate continua enquanto moradores permanecem em alerta
Mesmo com o alerta de tsunami encerrado, as autoridades continuam pedindo cautela. O risco imediato agora está concentrado principalmente nas réplicas, novos deslizamentos e possíveis desabamentos de estruturas já comprometidas.
O BMKG recomenda que moradores não retornem a prédios que apresentem rachaduras ou danos estruturais e acompanhem somente informações divulgadas pelos canais oficiais.
Enquanto as equipes avançam pelas áreas atingidas, milhares de famílias continuam esperando por abrigo e assistência. A prioridade das autoridades é localizar possíveis sobreviventes, retirar vítimas dos escombros e garantir que comunidades isoladas recebam água, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais.
A situação permanece em desenvolvimento e o número de vítimas e de danos pode aumentar à medida que as equipes conseguem acessar áreas que continuam isoladas.
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