FIM DE UMA ERA? UNIÃO E GOVERNO DE SÃO PAULO PEDEM FALÊNCIA IMEDIATA DA DOLLY POR DÍVIDA HISTÓRICA DE R$ 15,7 BILHÕES!
Uma das marcas de refrigerante mais populares e icônicas do Brasil está enfrentando o capítulo mais dramático de sua história. A União e o governo do Estado de São Paulo uniram forças para pedir na Justiça a falência imediata da Dolly, fabricante do famoso Guaraná Dolly. A decisão extrema fundamenta-se em uma dívida fiscal astronômica que se arrasta por mais de 25 anos e acumula impressionantes R$ 15,7 bilhões em débitos tributários, previdenciários e trabalhistas não pagos.
Fundada em 1988 por Laerte Codonho, a Dolly consolidou-se no mercado nacional oferecendo refrigerantes a preços muito competitivos, voltados principalmente para consumidores de menor renda. No entanto, investigações apontam que parte dessa vantagem comercial era sustentada pela sonegação sistemática de impostos. Segundo o Ministério Público, o esquema de fraude fiscal estruturada teve início em 1998, envolvendo o não recolhimento de ICMS para o estado de São Paulo, além de sonegação de contribuições previdenciárias destinadas ao INSS. A empresa chegou a ser acusada de demitir e recontratar funcionários de maneira fraudulenta e carrega ainda um calote de R$ 15 milhões em FGTS não repassados aos trabalhadores.
Em 2018, Laerte Codonho chegou a ser preso preventivamente por oito dias sob suspeita de fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na época, a defesa culpou o antigo escritório de contabilidade por desvios e falsificações, mas a Justiça manteve a responsabilização sobre a empresa. No mesmo período, a fabricante entrou com um pedido de recuperação judicial para evitar a falência após o bloqueio de seus bens. Procuradorias alegam, porém, que o processo foi utilizado como manobra de "blindagem patrimonial" por quase oito anos, já que a Dolly não possuía dívidas relevantes com credores privados, usando o recurso apenas para suspender as execuções fiscais do governo.
O colapso dessa estratégia ocorreu com as recentes mudanças na Lei de Recuperação Judicial e Falências, que passou a exigir obrigatoriamente a Certidão Negativa de Débitos (CND) tributários para a aprovação de novos planos de reestruturação. Sem condições de obter o documento devido ao rombo bilionário, a Dolly registrou um prejuízo líquido de R$ 25,8 milhões em dezembro de 2025 e desistiu oficialmente da recuperação judicial em maio de 2026. Em uma última tentativa de manobra, a empresa tentou converter o processo em recuperação extrajudicial — modelo que dispensa a certidão negativa —, ato classificado pelas procuradorias como uma tentativa deliberada de burlar os órgãos federais.
O pedido de falência foi impetrado com base em uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que equiparou as fazendas públicas a credores privados, permitindo que o governo requeira a falência de grandes devedores em casos complexos de longa duração. Apesar do pedido judicial, a Dolly segue funcionando e operando normalmente em suas fábricas e canais de distribuição, uma vez que o processo não interfere nas operações até que a Justiça tome uma decisão final, o que pode levar meses em razão dos recursos da defesa. Em nota oficial, a empresa declarou que ainda não foi intimada e que adotará as medidas cabíveis assim que for notificada.
Especialistas do mercado avaliam que as chances de uma nova reestruturação da marca sob a atual gestão são mínimas. Caso a falência seja decretada, o cenário mais provável é o de "falência continuada". Nesse modelo, o sócio Laerte Codonho é definitivamente afastado do comando, mas a empresa continua operando sob a supervisão de um administrador judicial até que um leilão seja realizado para vender o negócio a um novo grupo econômico. A medida visa garantir a manutenção dos postos de trabalho dos funcionários e a preservação da marca Dolly nas prateleiras, dando fim a um dos maiores e mais emblemáticos casos de sonegação fiscal da história do país.
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