Adolescente mata padrasto para defender mãe de agressões


O jovem de 16 anos afirmou à polícia que não suportava mais ver a mãe ser agredida. O crime ocorreu na zona rural de Unaí após uma discussão motivada por ciúmes.
UNAÍ, MG – Uma madrugada que deveria ser de celebração terminou em tragédia no Projeto de Assentamento Florestan Fernandes, na zona rural de Unaí, no Noroeste de Minas Gerais. Um adolescente de 16 anos foi apreendido pela Polícia Militar após matar o padrasto, de 41 anos, com um golpe de faca nas costas. O jovem alegou ter agido em legítima defesa e para proteger a mãe, que estava a ser espancada.
O Estopim: Ciúmes e Embriaguez
De acordo com o boletim de ocorrência, a família participava de uma confraternização de trabalho no sábado (20/12). Durante o evento, o homem começou a demonstrar ciúmes excessivos da companheira. Percebendo o estado de embriaguez e a agressividade do marido, a mulher decidiu abandonar o local com os filhos (o adolescente de 16 anos e uma criança de 7 anos) para evitar um conflito maior.
No entanto, a tensão aumentou durante o trajeto para casa. Segundo o relato da mãe, o companheiro tentou provocar um acidente de trânsito ao puxar o volante do veículo enquanto ela conduzia.
A Escala da Violência
Ao chegarem à residência, as agressões verbais tornaram-se físicas. O homem passou a desferir tapas e empurrões contra a mulher, chegando a derrubá-la no chão. O adolescente interveio para separar o casal e conter o padrasto.
Embora o agressor tenha chegado a deitar-se por alguns instantes, logo se levantou e passou a atacar o enteado com socos e pontapés. No auge da briga, e vendo que a mãe continuava sob ataque, o jovem correu até a cozinha, pegou uma faca e atingiu o homem uma única vez pelas costas.
Socorro e Apreensão
Após o golpe, a vítima caiu imóvel. A mulher tentou estancar o sangramento e pediu auxílio a uma vizinha, que acionou o SAMU e a Polícia Militar. Quando as equipas de socorro chegaram ao local, apenas puderam constatar o óbito.
O adolescente fugiu inicialmente para uma área de mata densa próxima à casa. Contudo, após contacto telefónico com a mãe, que o orientou a entregar-se, ele foi localizado pelos militares a cerca de 2 km de distância. Aos polícias, o jovem desabafou: "Não aguentava mais ver minha mãe apanhar". Ele revelou ainda que as agressões eram uma constante na rotina da família, embora nunca tivessem sido denunciadas formalmente às autoridades.
Procedimentos Legais
A perícia técnica da Polícia Civil esteve no local e apreendeu a arma do crime, além do telemóvel da vítima. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).
O adolescente, que apresentava escoriações devido à luta corporal, recebeu atendimento médico e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Unaí, onde o caso será investigado. A ocorrência levanta, mais uma vez, o debate sobre o impacto da violência doméstica silenciosa e as consequências drásticas da falta de denúncias prévias.

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